terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Organização de um Fórum de Debates em Rondônia
A atual realidade da Medicina brasileira, com intromissão de outros profissionais no ato médico, precárias condições de trabalho, má remuneração tanto no serviço público quanto nos convênios, atendimento inadequado, formação profissional deficiente e proliferação das escolas médicas, está fazendo com que as entidades médicas, nacionais e regionais, se unam e atuem juntas, O resultado dessa força, que tem como objetivo mudar a triste realidade da medicina no Brasil e está levando à organização da classe em torno de um só ponto, que agregue os Conselhos de Medicina, as Sociedades Médicas, as Sociedades de Especialidades e os Sindicatos: a Ordem dos Médicos do Brasil.
Essa é uma discussão que está apenas iniciando, mas os dirigentes das quatro entidades nacionais – Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira, Federação Nacional dos Médicos e Confederação Médica Brasileira – concordam que, mais do que nunca, o médico hoje precisa participar ativamente de suas entidades para enfrentar as principais questões que afetam o exercício da Medicina no país. Diante das dificuldades enfrentadas, o médico tem que estar em sintonia com as lutas e ações das suas entidades, pois ele aparece como uma peça fundamental no processo de reversão da atual situação.
Nos estados brasileiros onde as entidades médicas têm posições mais progressistas, uma admirável unidade tem sido construída em prol da categoria profissional. É o caso de Sergipe, onde Sindicato, Conselho e Associação Médica fizeram reunião conjunta para fazer um diagnóstico da situação da saúde no Estado.
A matéria pode ser lida na página http://www.correiodopovo-al.com.br/v2/article/Sergipe/10330/
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Demissão de Médicos - Retaliação Política?
Apenas para relembrar os que aqui nos acompanham transcreverei abaixo alguns postulados que regem o nosso Código de Ética Médica e que respalda a luta de muitos por melhores condições de trabalho e melhor remuneração. Temos consciência da enorme responsabilidade social que a nossa profissão carrega mas, não podemos assumir como os únicos responsáveis pelo caos em que se encontra o sistema de saúde do Brasil.
*Capítulo I - Princípios Fundamentais *
Art. 1° - A Medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da
coletividade e deve ser exercida sem discriminação de qualquer natureza.
Art. 2° - O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em
benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua
capacidade profissional.
Art. 3° - A fim de que possa exercer a Medicina *com honra e dignidade*, o
médico deve ter *boas condições de trabalho e ser remunerado de forma justa*.
Art. 4° - Ao médico cabe zelar e trabalhar pelo perfeito desempenho ético da
Medicina e *pelo prestígio e bom conceito da profissão*.
Art. 8° - O médico não pode, em qualquer circunstância, ou sob qualquer
pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, devendo evitar que
quaisquer restrições ou imposições possam prejudicar a eficácia e correção
de seu trabalho.
Art. 14 - *O médico deve empenhar-se para melhorar as condições de saúde e
os padrões dos serviços médicos e assumir sua parcela de responsabilidade em
relação à saúde pública*, à educação sanitária e à legislação referente à
saúde.
Art. 15 - Deve o médico ser solidário com os movimentos de defesa da
dignidade profissional, *seja por remuneração condigna, seja por condições
de trabalho compatíveis com o exercício ético-profissional* da Medicina e
seu aprimoramento técnico.
Art. 17 - O médico investido em função de direção tem o dever de assegurar
as condições mínimas para o desempenho ético-profissional da Medicina.
solidariedade, sem, todavia, eximir-se de denunciar atos que contrariem os
postulados éticos à Comissão de Ética da instituição em que exerce seu
trabalho profissional e, se necessário, ao Conselho Regional de Medicina.
Vale ainda a pena dizer que a covardia do nosso silêncio nos faz cúmplices do sistema que massacra milhares de vidas que dependem do sistema de saúde existente para obterem serviços médicos para si e seus familiares.
Precisamos nos levantar, nos unir com força e resgatar a nossa dignidade diante da população que, injustiçada, sucumbe sem saúde por esse nosso imenso rincão brasileiro.
A começar daqui e agora.
Mudanças já!
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Péssimas condições de trabalho - UTI do Hospital e Pronto Socorro João Paulo II
Mais uma vez as péssimas condições em que trabalham os médicos do hospital Joaõ Paulo impedem a equipe da UTI deste hospital de realizarem atendimentos dignos à população de Rondônia que depende do único hospital no estado para dar assistência a pacientes politraumatizados. Para este hospital são encaminhados, de todos os municípios do estado, além dos da própria capital, pacientes vítimas de acidente de trânsito. Além do hospital não possuir um tomógrafo próprio, a UTI ultimamente carece de Raio X portátil, quebrado há mais de 15 dias, máquinas de hemodiálise quebradas há mais de 2 meses, utilizadas em pacientes críticos que apresentam falência renal aguda, férulas ortopédicas para o sustento de membros fraturados e que necessitam de tração, como na fratura de femur e coletores fechados de urina, entre outros. Vários relatórios e pedidos de providência já foram encaminhados à diretoria do hospital restando-nos agora apelar para a divulgação dos fatos na mídia esperançosos de que com isso encontrem-se soluções mais rápidas e definitivas para o impasse causado pela falta de material adequado para o atendimento à população neste hospital. Como desculpas ao não atendimento às nossas reivindicações, o nosso excelentíssimo governador tem alegado que o Pronto Socorro é de responsabilidade do município. Fato é que , enquanto o Hospital João Paulo II for o único hospital no estado a atender o paciente politraumatizado o não atendimento, ou o mal atendimento, caraterizará ato de omissão ou, no mínimo, negligência das autoridades para com a população. Sabemos não ser esta a intenção dos nossos governantes e aguardamos a atenção dos mesmos no sentido de sanarem esses problemas o mais rápido possível.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Os MÉDICOS chegaram ao fundo do poço!
O documento, mais que uma reclamação, uma seríssima denúncia do ponto a que chegaram os médicos, grande parte dos quais à beira da insolvência financeira, leva assinatura do Dr. Paulo Ezequiel, funcionário das Secretaria de Saúde Municipal e Estadual, no Rio Grande do Norte, e que recebeu a imediata solidariedade de outros nove médicos da rede Estadual, que também é a carta aberta.
A repercussão foi tão grande, que por conta própria médicos do Brasil inteiro passaram a retransmitir a carta para colegas e amigos, via e-mail.
A seguir a íntegra do documento:
"Médicos, companheiros de profissão, como descemos...
Quando meu pai, médico, aposentou-se há nove anos, disse que estava fazendo aquilo porque a profissão médica havia chegado ao fundo do poço e não agüentava ver a classe descer mais do que aquilo.
Nesses nove anos os salários e até o CH (coeficiente de honorários), criado para proteger o trabalho médico, desvalorizou 308,68% se comparado ao salário mínimo (e nós pagamos salários baseados no mínimo aos funcionários); desvalorizou 73,47% pelo IBG que mede o índice de preços ao consumidor/inflação), índice este que sabemos ser maquiado pelo Governo Federal..
Se "dolarizarmos" nossas perdas, elas chegam a 351,81%. Como descemos...
Inicialmente fizemos cortes no orçamento, depois aumentamos a carga de trabalho, passando a dar mais plantões.
Cortamos férias, nos tornamos "clientes especiais" dos bancos, inicialmente eventuais, hoje cativos.
Não temos tempo sequer para nos organizar. Como descemos!
Não podemos lutar sequer na Justiça, pois o Judiciário jamais votaria a nosso favor, mesmo que estejamos certos.
Os juízes já votaram seu próprio aumento salarial e, se votassem o nosso, poderia não sobrar para eles.
Em 1994 um médico recebia R$ 755,00 e um promotor público R$ 1.300,00. Hoje, o médico recebe os mesmos R$ 755,00 e o promotor mais de R$ 8.000,00.
Que diferença de responsabilidade ou de um curso faz com que ocorra tal disparidade?
Sem falar de vereadores, auditor fiscal e outros cargos que, devido ao seu poder de autogestão dos salários foram evoluindo exponencialmente, enquanto nós retrocedemos.
Como descemos! E a culpa, de quem é? De nós mesmos! Nós, que deixamos a coisa ocorrer sem reagir.
A culpa é nossa por termos aceitado dar plantões em condições mínimas!
Não há material? Improvisa-se tudo em prol da continuidade do serviço e do paciente.
A culpa é nossa por termos criado uma cooperativa médica que pode proteger a todos, menos ao médico.
Veja uma diária hospitalar hoje e há oito anos.
Quem protege quem?
Os planos de saúde aprenderam que não temos tempo para reclamar e pagam o que querem,
quando querem e se quiserem. Como descemos!
Chegamos no nosso carrinho, cara de cansados, exaustos, na verdade, maltrapilhos e somos atendidos pelo gerente do plano de saúde: bem dormido, gravata, perfumado e de carrão zero às nossas custas. Burros de cangalha é o que somos!
O Governo também aprendeu que não temos força para cobrar o que é de direito:
retira gratificações, suspende pagamentos. É como se fôssemos isentos de obrigações financeiras.
Coitados de nós! Como descemos!!!!
Temos medo de pedir um orçamento a um pintor ou pedreiro. Estamos apertados para pagar o colégio dos nossos filhos.
Achamos que se continuarmos assim, vamos acabar pagando para trabalhar.
Estamos enganados! Já estamos pagando, pois as noites em claro nos renderam doenças e problemas de saúde que nossa aposentadoria do Estado de R$ 400,00 somados ao INSS de R$ 800, 00, mais talvez uma previdência privada, não conseguem cobrir.
Pagamos, porque a nossa ausência em casa na busca de manter um "padrão de vida", não tem preço.
Nossos filhos estão à mercê de drogas e maus exemplos, devido ao abandono. E como dizer aos nossos filhos para estudarem, pois vale a pena ?
Eles vêem o exemplo do pai que estudou tanto, fez tantos cursos, passou tantos concursos e tem uma qualidade de vida tão ruim. E aí vem o "Big Brother", as novelas e pessoas que vivem melhor, até de forma ilícita. É difícil fazê-los compreender que os que nos mantêm em nossa profissão, o que nos alimenta a alma e o espírito são duas coisas: o amor pela prática médica e a incapacidade que temos de reverter todo o investimento que fizemos à mesma.
Se o medo é de pagarmos para trabalhar, pode ficar ciente de que já estamos fazendo isso! Acho que deveríamos ser mais radicais e não aceitarmos imposições, pois sabemos que estamos totalmente certos !
Temos que ganhar melhor para atendermos melhor a nossos pacientes.
Temos que dormir bem, para atendermos melhor a nossos pacientes.
Temos que estudar e nos atualizar, para atendermos melhor a nossos pacientes. Queira ou não, tudo isso depende de remuneração !"
ESTÁ NA HORA DE TODOS OS MÉDICOS DO BRASIL SE UNIREM POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO E REMUNERAÇÃO DIGNA, ATUALIZADA !!!!!!
CHEGA DE SERMOS ESCRAVOS, HUMILHADOS !!
SEM UNIÃO, NADA CONSEGUIREMOS !!
UM JUIZ SALVA A VIDA DE ALGUÉM ? ENTÃO, PORQUE ESTA DISPARIDADE DE SALÁRIOS EM RELAÇÃO AO NOSSO??
LEMBREM-SE QUE SOMOS NÓS QUEM TEMOS A CAPACIDADE DE SALVAR VIDAS, E VIDAS NÃO TEM PREÇO!!
POR FAVOR, REPASSEM PARA TODOS OS SEUS AMIGOS E COLEGAS MÉDICOS.
VAMOS INICIAR NOSSO MOVIMENTO DE ATUALIZAÇÃO DE SALÁRIOS PARA QUE TENHAMOS UMA REMUNERAÇÃO DIGNA!!